Por Miguel Toscano e Pedro Henrique de Paula

sábado, 7 de agosto de 2010

E tudo era Rói

Lembro que estava andando outro dia pela Gavião Peixoto (uma rua importante de Niterói, RJ), que assim como o resto da cidade, é caracterizada por uma palavra: movimentação. E foi exatamente isso que eu observei enquanto caminhava sob o sol da tarde.
Como toda cidade metida à grande, Niterói chegou à um ponto onde não são mais as ruas que possuem muitos carros, são os carros que possuem poucas ruas. As buzinas passam a ser tão normais quanto aquele zumbido que dá no ouvido na subida de serra. Nas ruas, as classes se misturam. Os ricos dentro, os pobres fora. Separados apenas por vidros. Nas calçadas, a mesma coisa. Mas não há vidros. Somente o ego separa a dona de um maltês de pelo liso, do rapaz do camelô. Enquanto caminhava, algo além das buzinas me chamou a atenção: "Olha o RAPA!"
Essa frase veio ao longo da rua, de boca em boca, com os camelôs sem licença. Antes de explicar o que é o "Rapa", vou descrever como são esses camelôs. São pequenas mesinhas de madeira, ou apenas tampos estendidos no chão, que ficam nas calçadas servindo de exposição da arte de pessoas querendo ganhar um dinheiro pra sobreviver e alimentar a família. Existem as barraquinhas também, mas esses são os que possuem o direito de vender no seu ponto. São legalizados.
Voltando à história, essa frase veio ao meu lado, no percorrer do trajeto subindo a rua. E por onde passava, provocava uma reação de desespero visível nas faces dos comerciantes. Rapidamente, toda a bugiganga já havia sido juntada e guardada. Alguns tinham várias aparelhagens, onde uma corda era puxada e a mesinha dobrava ao meio com todo o material, facilitando a fuga. Mas fuga de que?
Gritar "o rapa" foi um meio que os comerciantes descobriram de avisar os outros sobre os fiscais da prefeitura. Eu não tive a oportunidade de observar ou estudar esse fato, mas pelo o que vi, me parece algo bem mais estruturado. Imagino que exista alguém que fique de prontidão, no caso de os fiscais 'brotarem' na parada.
Quando os comerciantes são abordados, a mercadoria é apreendida.
E os comerciantes que são pegos? Tem que se virar pra alimentar as crianças.
Não é algo bonito de ser dizer, mas eu achei importante dividir essa experiência com você, leitor. Não é sempre que nos desprendemos da nossa rotina para viver algo diferente. E eu, particularmente, me considero alguém que observa muito ao redor. Minha vista não é perfeita, claro. Ontem mesmo, fui à um oftalmologista. Terei que usar óculos. Mas minha observação pode ser algo de que eu me orgulhe.
E aí, pessoal? Bem, como a maioria de vocês já deve estar sabendo, eu fui convidada pelos meninos do "Esterco Filosófico" para postar semanalmente minhas visões femininas sobre diferentes tópicos. Ainda não defini o tópico sobre o qual falar, mas posso garantir que até semana que vem um post é certo. Na verdade, esse post é só uma breve apresentação e agradecimento pelo convite dos meus amigos. E mais do que isso, um pedido por sugestões e críticas não só das leitoras, como também dos leitores, que vocês podem enviar pro meu email (amandinhatitoneli@hotmail.com) ou falar comigo diretamente pelo twitter. Fiquem certos de que eles serão muito bem vindos, e que eu conto com essa colaboração. No mais, espero que vocês continuem acompanhando o blog e aproveitando a leitura dos nossos tópicos! Até semana que vem! Beijos.

Senso Crítico, falou?

No meu último post ("novelas no nosso cotidiano") eu falei sobre a presença da Rede Globo nas residências brasileiras e como isso pode manipular a população.

"MST"(Movimento dos Sem Terra). O que é o MST para você? Sua ideologia? Como agem? Estão certo? Errados?Analisemos...
Objetivos do MST:
• Lutar pela terra;
• Lutar por Reforma Agrária;
• Lutar por uma sociedade mais justa e fraterna.

O MST Defende que a expansão da fronteira agrícola, os megaprojetos, as barragens contribuíram para concentrar a propriedade da terra e eliminar as pequenas e médias produções agrícolas.
Hoje em dia os maiores detensores de terra são (não por coincidência) os "líderes" da mídia. (Família Marinho - Rede Globo, Família Abravanel - SBT, entre outras). Vejamos parte de uma postagem de Marco Aurélio Mello (que escreve para a Globo) no blog "Doladodelá" sobre uma "invasão" ocorrida no Pontal do Paranapanema em abril de 2001:

"Quanto aos fatos, sabíamos apenas que não houve uso da força e não havia ninguém na área, apenas um bosque e um enorme pasto, sem uso. O MST informava que tratava-se, não de invasão, mas de ocupação da área, que pertencia à União, era terra devoluta. [...]
Atualmente, a terra é considerada devoluta quando é possível comprovar que não é registrada, nem possuída por ninguém e está desabitada.
No dia seguinte havia uma determinação do Rio (nunca dizem quem determinou, mas instintivamente a gente sabe...). A ordem era para que, a partir daquele dia, tratássemos as ações do MST de forma padronizada. No lugar de ocupação, teríamos que grafar invasão. Não falaríamos em 'terras devolutas, porque o povão não entenderia'. E acompanharíamos a decisão da justiça sobre a reintegração, ou não, da posse."

Por que a Globo trataria assim as ações do MST? Simples: dá mais lucro! É mais lucrativo ter terras demais enquanto outros não podem plantar o próprio alimento. Logo, a Globo nos passa a imagem que, de cinco brasileiros, três pensam assim. "MST são um bando de roceiros com foices e armas invadindo fazendas, matando fazendeiros inocentes, só porque são um bando de preguiçosos que roubam dos outros ao invés de procurar um trabalho direito e comprar suas próprias terras." Mas poucos sabem da legitimidade que existe no MST.

Eu, no primeiro semestre deste ano, visitei um assentamento do MST. No caminho de ida, eu só pensava que poderia sair de lá com um corte de foice ou um tiro na perna. Chegando lá, encontrei pessoas extremamente humildes. Porém extremamente espertas. Era uma terra do tamanho de, aproximadamente, 8.000 maracanãs. Era terra devoluta. E 50 famílias, depois de conseguir aprovação legal, entraram na fazenda (ao contrário de o que a maioria acha, eles não são fora da lei. Eles apenas "invadem" com permissão legal). Essas famílias viviam em condições sub-humanas: as cabanas eram tocos de madeira com uma lona em cima e sem nenhuma camada sobre o chão. Não receberam permissão para plantar, então a cada dia era uma luta para arrecadar alimentos. Uma vida extremamente dura. Mas eu nunca fui recebido por alguém em sua "casa" tão bem como fui lá.
Eu conversei com um rapaz que cursara uma faculdade federal de direito, mas que havia largado sua vida boa para apoiar o movimento.
Era incrível... Nunca vi um grupo de pessoas conviver tão bem. E como havia pessoas tão diferentes ali. Uma senhora de idade fundou aquele grupo MST(tendo uma linda filha com síndrome de down). Homens que ajudavam no trabalho braçal e mulheres na cozinha com o auxílio do "líder da cozinha" que é um homossexual. Havia gente de todas as idades. Um tocava acordeom, outro cuidava dos cavalos... Um cuidava das cabanas, o outro fazia barro para futuramente fazer casas de pau a pique.... Uma ajuda mútua. Não era nem perto do que eu esperava. Eu esperava muito menos.

Você pode até usar como argumento contra o MST alguns casos, como o laranjal destruído que você viu no jornal da GLOBO ou de qualquer outro caso que você viu no Fantástico. Mas, certamente, não foi mostrado todo o cenário em que aquilo aconteceu: o que estava acontecendo antes e tudo mais. E mesmo que este grupo do MST estivesse errado, é só disso que ficamos sabendo. Por isso vou publicar um caso entre vários outros que não chega para nós:

Aconteceu em uma mina de bauxita em Minas Gerais. Todo o minério extraído era transportado por um trem. Porém, era colocado mais bauxita do que cabia no vagão, formando uma parábola sobre seu limite. Em conseqüência da fumaça que saia quando o vento passava por esse excesso, estava sendo registrada grande quantidade de câncer de pulmão, asma e outros problemas respiratórios nas crianças onde o trem passava. Embora a população tenha feito as reclamações, esse caso não "pegou" e continua do jeito que estava até hoje. Isso não passou na Globo. Assim como em vários outros casos.

Eu ficaria dias falando sobre a maneira não imparcial da globo em transmitir as coisas, mesmo existindo várias outras informações que não chegaram a mim.
Eu posso garantir que, antes desta visita ao MST, eu era um garoto que se achava super senso crítico, esperto e que ninguém conseguia manipular. Mas quando saí daquele assentamento me senti uma marionete. Sei que é difícil mudar algumas ideologias que a gente ouve desde criancinha. Mas não pode continuar da maneira que está. A Globo é muito mais esperta do que parece e não é nada "gente boa".
Não estou pedindo para vocês odiarem a Globo e se juntar ao MST. Só estou pedindo para todos buscarem mais fontes de informação. Você já entrou no site do MST? A maioria responderia não. E espero que isso não fique só para a situação Globo versus MST, mas para vários outros temas em que somos manipulados.
SENSO CRÍTICO, FALOU?

Preconceito Muscular (Semanal Filosófico)


"Não podemos discriminar pessoas pela raça e opção sexual, mas podemos ser discriminados pela nossa massa muscular" Waldemar Guimarães.

O semanal dessa semana tratará de um assunto que passou do aspecto racional para o emocional. Isso significa que as pessoas, ao argumentarem sobre isso, perderam a razão, influenciadas por uma mídia manipuladora, sensacionalista e desinformada.

O preconceito muscular é algo que irrita profundamente quem treina de verdade e tem o "bodybuilding" como estilo de vida, principalmente quando provém daquelas pessoas do mundinho "malho pela saúde". Mas, os mesmos são encontrados nas baladas dos fins de semana enchendo a cara de álcool, fumando sei lá o que e cheirando outras porcarias.
A maioria das pessoas, ao se depararem com um cara "bombado", logo diz que é tudo anabolizante. Os mais velhos dizem que é uma deformação e outros dizem que acham feio e que, se tomassem, também ficariam assim pois têm "tendência a crescer". E ainda a típica das patricinhas : "ridículo isso" .
Parece que não vale o esforço, dedicação, disciplina, alimentação e devoção ao esporte. Tudo isso fica esquecido.
"Nós crescemos do nada, ou melhor, por que tomamos bomba" . Os caras que treinam de verdade e estão na estrada há muito tempo têm que ouvir esse tipo de coisa todo dia. Pense nisso...

Não quero criticar o estilo de vida de ninguém. Se quiserem beber e fumar e ainda malhar "em prol da saúde", tudo bem. Mas acho que devem, ao menos, respeitar os caras dedicados de verdade à musculação, pois o caminho que eles escolheram é muito árduo, longo e merece respeito. Depois de anos de dedicação, dor, e treinamento intenso, quando os resultados vêm, alguém chega e fala que é ridículo e credita tudo às "bombas" que, aliás, serão nosso próximo assunto: os Esteróides Anabolizantes.

Pelo menos respeite. Não peço mais nada. Se quiser elogiar, ou outra coisa qualquer, melhor ainda. Mas só peço o respeito aos "marombeiros hardcore" de verdade. E só pra lembrar que sim: realmente existem os "bombadinhos" que se entopem de drogas para ficar saradinhos no verão. Mas estes não devem ser confundidos com o perfil do atleta aqui descrito.
Um abraço!

(agradecimentos ao site zegataomuscle.com)