
A minha curiosidade em novelas surgiu hoje, na hora do almoço, quando minha avó e minha mãe discutiam sobre novelas. Avó: “Mas essa gente é muito boba, só tem gente ruim nessa novela”. Daí só foi piorando: “Aquela mulher é muito burra, por que ela não fez tal coisa ao invés de fazer isso? Assim ela não estaria com esse problema”. Teve uma que depois eu desisti: “Ai, aquela Fernanda Montenegro é um nojo. Ela fez um monte de maldades com aquele garoto. Não gosto daquela mulher”. Até que soltei um berro: “Cara, isso é uma novela!”. Então fiquei pensando no quanto as pessoas hoje acreditam fielmente nas novelas e resolvi pesquisar. Depois dos dados encontrados, me vi na obrigação de postar:
95,2% dos brasileiros (mais de 17 milhões de residências) possuem TV aberta (dado mais recente – 2006), que por sua vez se resume em poucos canais, entre eles, lidera-se a “Rede Globo”. Em 1990 a Globo atingiu 98% da população, em comparação, em 1960 era praticamente zero o percentual atingido.
Sessenta a oitenta milhões de brasileiros assistem regularmente a novelas noturnas em português.
Tudo bem. Com esses dados já deu para perceber que as novelas “Globais” estão presentes (e muito!) no nosso dia-a-dia. E é disso que eu venho falar!
A novela já se firmou como uma paixão brasileira, e me arrisco a compará-la com o futebol, o carnaval e o samba. O que surpreende é quando a telenovela “sai” da televisão para o mundo real.
De acordo com os autores do estudo, Alberto Chong e Eliana La Ferrara, “a parcela de mulheres que se separaram ou se divorciaram aumenta significativamente depois que o sinal da Rede Globo se torna disponível nas cidades do país.”
OLHA ISSO!
Outro fato que comprova é o famosérrimo “Diário de Luciana”, feito na novela anterior “Viver a vida”. Para quem não sabe, o “Diário de Luciana” é um blog de uma das personagens da novela (Luciana, dãã) que é deficiente física e fala da sua vida, muitas vezes repetindo o que acabou de passar na novela. Até ai, tudo bem. Mas o blog dela era um dos mais visitados cara! Havia centenas de comentários em suas postagens dizendo: “Isso ai, Lú. Te dou a maior força com o Miguel. Não liga para o que os outros pensam de você!”
Gente, a Alinne Moraes (atriz de Lucina) não é paraplégica. Desculpe cortar o seu barato. Mas eu acho legal a ideia da Globo em criar esse blog, encorajando outras deficientes a fazer o seu e tudo mais. O que me preocupa são as pessoas que comentam! (admito, eu já comentei no blog dela)
Quero deixar claro que não sou contra as novelas. Muito pelo contrário. Elas desempenham um papel importantíssimo na sociedade. Aspecto Social: “Os artigos sugerem que alguns programas de televisão podem ser uma ferramenta para transmitir mensagens sociais muito importantes que ajudem, por exemplo, a lutar contra a disseminação da epidemia de AIDS e promover a proteção dos direitos de minorias”. E aspecto econômico: “As telenovelas são consideradas um dos principais produtos de exportação cultural do Brasil”.
Acredito que cada cidadão deve possuir o bom senso ao receber informações. Saber o que é interessante nas novelas (até como forma de entretenimento), mas saber o que não é mais realidade. Afinal, a novela pode até manipular a “massa” com ideologias que favorecem a emissora (isso é outro assunto que eu postarei futuramente).
O que fica desta postagem: Se você é um daqueles que vê um filme de terror e grita: “Olha! Ele está atrás de você!”, ou um jogo de futebol: “Toca cara! Fica ligado o atacante estava sozinho”...como está a sua reação perante as novelas? E a dos outros a sua volta?
Ps: "Novela é que nem sogra. Quem já viu uma, já viu todas." (Adorei...)
