Fico pensando no que escrever. Geralmente não acontece esse tipo de coisa comigo. Ficar sem o que falar. Ficar sem saber me expressar. Olho para a tela do computador e não vejo a informação que irá atrair sua atenção (nesse caso, você leitor). Meus olhos estão embaçados. De tanto tempo parados, meus dedos estão meio gelados. Dou uma batucada na mesinha para aquecê-los. Olho pro relógio. Está tarde. Ouço gatos lá fora, se esbanjando em puro sexo animal, enquanto aqui, o frio me impede de explorar os limites de minha imaginação e de meu corpo. (Não fiquem chocados. Não escrevo para crianças lerem).
Procuro em meu quarto algo que possa me dar inspiração. Apenas a fraca luz do monitor ilumina os quatro cantos do meu mundinho particular. Enquanto busco algo útil o bastante para ser citado aqui, meus olhos se veem (ironicamente) apertados para enxergar alguma coisa. Os mesmos se chocam com meus antigos adesivos no também antigo armário. Colo adesivos desde que me entendo por gente. E se bobear, desde que ainda não me entendia também. A fraca iluminação tornou-se forte e alva quando virei-me em direção à minha tábula-rasa e reparei que o monitor antes branco e sem vida, estava preenchido. Várias palavras, uma atrás da outra, dando um sentido estranhamente familiar. De onde isso saiu? Quem escreveu isso enquanto eu pensava com meus botões? E porque meus dedos não estão mais frios? (Não pense bobagem) Será que fui eu que escrevi isso?
Passo os olhos rapidamente, e vejo uma coisa meio narração, meio descrição. Uma estranha crônica falando sobre algo não tão distante. Vou chegando ao fim da mesma e vejo algo que me deixou um tanto intrigado. Como se eu tivesse me dividido em dois tempos. É quase como se um "eu" pensasse e contasse para o outro "eu" escrever. Paradoxalmente, vejo estes tempos paralelos um ao outro, mas que se encontram em um mesmo ponto. Este ponto, delimita o fim. O fim das retas. Duas retas paralelas que se encontram no ponto final. Meu professor de português talvez gostasse disso tudo que escrevi. Meu professor de matemática talvez não gostasse de ver uma reta com um final, ou duas paralelas que se encontram. Ou então, os dois lessem isso e me mandassem à merda. Isso tudo é um simples ponto de vista. Mas tecnicamente, o meu ponto de vista. Meu mundinho particular. Sem cantos.